Sexta a Carol dormiu em casa.
No auge do meu sono resolvemos brincar de perguntas e respostas.
Uma fazia a pergunta, as duas respondiam e depois a outra perguntava e assim suscetivamente.
Uma das perguntas da Carol foi qual era meu maior medo e minha resposta foi: ter câncer.
É, pois é, esse é meu maior medo, por motivos pessoais e enfim, quero pegar o gancho dessa pergunta pra falar sobre outro medo que tenho, não é o maior, mas é bem grande.
Como digo, não me sinto efetivamente ligada a nenhum lugar físico, digo pra todo mundo que não tenho raízes, meu lugar é o mundo, minha última consulta com minha psicologa foi sobre isso, a necessidade que tenho de sentir, não acho e nem espero ser lembrada por nada, nem pelo abraço, nem pelo sorriso, nem por nada, mas eu preciso lembrar, lembrar de tudo, sentir tudo.
Quando fiz minha primeira tatuagem eu me encontrava em uma atmosfera diferente da de hoje, não quis a vida toda fazer uma tatuagem, mas naquele momento eu quis e ela traduziu o que eu sentia e não me arrependo de forma alguma, talvez teria feito com a minha letra, mas ela é como deveria ser e será assim sempre porque ela é parte de mim até o fim.
Eu tenho essa necessidade de me expressar, por isso eu tenho um blog, por isso eu tenho uma parede de lousa no meu quarto, por isso compro cadernos insanamente, por isso cada tatuagem tem um significado, porque eu sinto insanamente, eu explodiria se não pudesse colocar tudo o que sinto pra fora de alguma forma...
E acho que esse é dos meus grandes medos: não poder me expressar, não poder sentir.
Há um preço bem grande a se pagar por não ser igual, estava lendo agora que uma pessoa gorda desenvolve outras qualidades por não se enquadrar nos "padrões da sociedade", talvez seja isso que aconteceu comigo, eu sempre fui encanada com o fato de ser gorda, mas eu precisei, por sobrevivência, desenvolver outras qualidades, outros pontos de vista e isso me tornou diferente, diferente do que eu conhecia e isso nem sempre é fácil, quase sempre é difícil.
Eu nunca fui o tipo de pessoa que faz tudo porque simplesmente é legal, eu sou impulsiva? sim, claro que sou, mas mesmo na impulsividade eu coloco um valor sentimental enorme no que faço.
Tatuagens não são só tatuagens, faculdade não é só um diploma, uma viagem não é só uma viagem, passeios não só são passeios, uma música não é só uma música, um clipe não é só um clipe, um filme não é só um filme, um corte de cabelo não é só um corte de cabelo, nada pra mim é só alguma coisa.
Por mais que seja um planejamento rápido, o que faço é carregado de sentimentos e por isso, as vezes eu demoro tanto a realizar algumas coisas, é por isso que muitas coisas são tão importantes, é por isso que tem que ser pra valer.
Talvez eu seja assim porque desde pequena eu fui levada a sentir muita coisa e com intensidade absurda, talvez porque uma professora no primeiro ano do ensino médio, quando eu tinha 15 anos disse que ao sairmos pela porta já somos outra pessoa, que 'n' coisas, visíveis ou não, vem ao nosso encontro e isso nos faz mudar, nos faz crescer, nos faz outros, e por isso eu passei a levar a sério essa mudança e que tudo pode me mudar.
Eu tenho medo de um dia passar pela vida só por passar.
Tenho medo de ser privada de ser apenas eu, de poder sonhar, de poder amar de verdade.
Tenho medo de um dia confundir LAR com CASA.
Tenho medo de não sentir em minhas veias as experiências que me esperam, de não visitar os lugares que me encheram de vida, meus olhos de brilho, de não conhecer as pessoas que devo conhecer, de não amar tudo que virá, um dia, agora, depois de encontro a mim.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário