domingo, 1 de setembro de 2013

O livro que me fez voltar a sentir...

Há algum tempo não choro ao ler um livro, há tempos não tenho coragem de terminar de ler um livro, essa é a verdade.
O último livro que realmente eu conto como lido foi o "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" e foi este livro que me fez chorar, chorar com a morte do Dulmbledore.
Lembro, que graças a minha ansiedade, li antecipadamente essa parte e chorei, voltei para a página que estava e voltei lá antecipadamente várias vezes e chorei todas elas.
Não consegui ler inteiro o livro 7, acho que se o fizesse choraria e pior ainda, admitiria um final, não o quis. Fugi.
Depois disse li apenas um livro inteiro, mas esse de tão curto não me emocionou tanto, me fez gargalhar, mas não realmente me emocionar, depois disse vieram tentativas e mais tentativas de terminar alguns livros, tenho coleções de livros pela metade, um amigo disse que não sabe como consigo não terminar de ler um livro, eu sei.
Eu tenho medo de findar as coisas, medo de que as coisas com as quais crio um vinculo se rompam, não é tão fácil assim pra mim, quando as abandono, sei que de algum mudo elas continuam lá, a minha espera, com uma virgula, mas sem um ponto final, tenho a sensação que isso me trava de alguma forma, mas ainda não consigo me livrar de mal hábito, mas por causa dessa mesma frase desse amigo, despertou em mim o desejo de teimosia e de mostrar que eu consigo terminar um livro, rs, eu voltei ao meu livro mais querido, o livro que em si carrega um amor de amigos, que trás impregnado em cada página a saudade e toda a lembrança de um grande amor.
A chamada deste livro sempre me seduziu.
'Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.'
Ela me seduziu de um modo irresistivelmente adorável, não tinha como não o ser.
O desejo de ler palavras da morte, conhecê-la, saber como alguém imaginava que ela pensava me seduziu. O livro me ganhou e eu o ganhei desse grande amigo.
Talvez soe estranho meu desejo louco de conhecer a morte, mas sempre quis ser sua amiga, ela é minha irmã, como já dizia São Francisco, ela é criatura de Deus e precisa ser encarada como tal, talvez nós homens ainda não a compreendemos, mas ela não é má, mal é quem a provoca e a clama antes do momento certo, e ao ler esse livro, essas linhas de um homem que tenta transcrever o modo como a morte vê as coisas me emocionou.
Há coisas tão dolorosamente tristes nestas linhas, a morte eminente, a visita constante da Morte ao redor de uma pequena menina que não deveria sofrer assim, mesmo que num livro.
Quando li sobre seu irmão, sua primeira visita, lembrei das visitas que recebi, de TODAS, em cada página esperava ansiosa por uma morte já anunciada, imaginei modos brilhantes para tal acontecimento, e esperava, mas colocava para fora um respiro de alivio quando via que, pelo menos naquele capítulo ela não estava, mas na hora que ela, de uma maneira tão inusitada e TRISTE realmente apareceu eu chorei, não me deu o direito de parar de ler até que este capítulo acabasse, limpei as lágrimas, feri meu rosto com a aspereza da manga da blusa e fui até o fim, mas quando a linha acabou e o ponto final apareceu eu só pude fazer um dobra na página para um dia ali voltar, marcar a página que parei, fechar o livro e chorar, um choro com soluços, talvez quem veja esse texto não entenda o porque de tamanho choro, mas nesse momento me lembrei de tantas coisas, me lembrei de tantos, me culpei pela morte de tantos inocentes, onde eu estou enquanto tantos morrem, enquanto tantos sofrem, porque essas pessoas desta época nazista, algumas pessoas verdadeiramente boas, morreram, porque ainda tantas outras morrem por motivos imbecis e fúteis?
Não culpo a morte por essas morte, nem tão pouco culpo a Deus, afinal Ele não tem culpa do mal que escolhemos fazer.
E me lembrei do quanto doí perder alguém, me lembrei novamente dos meus avós, dos meus irmãos, do Flávio...
Não acabei de lê-lo, ainda não, mas o terminarei e espero que esse seja o primeiro de muitos a findar, a cortar o cordão, espero que esse seja, depois de muito tempo, o primeiro de muitos a me fazerem viva novamente.

"Rudy Steiner estava dormindo. Mamãe e papai dormiam. Frau Holtzapfel, Frau Diller. Tommy Müller. Todos dormindo.Todos morrendo."
A Menina que Roubava Livros

(Texto originalmente publicado numa terça, 15 de maio de 2012 no meu blog pessoal)

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